Hans Staden
Hans Staden foi um aventureiro alemão que por duas vezes esteve no
Brasil , onde participou de combates nas capitanias
Neste livro, Hans Staden conta como foram suas
duas viagens ao Brasil, na primeira vez a serviço dos portugueses e na segunda
a serviço dos espanhóis. A primeira, em janeiro de 1548, foi até a capitania de
Pernambuco para carregar o navio de pau-brasil e retornar a Portugal. Na ida a
embarcação trouxe degredados para “povoar” as terras de Portugal e a tripulação
tinha ordem de combater qualquer embarcação francesa que fosse encontrada na
costa brasileira.
Só que ao chegar a Pernambuco a tripulação foi
convocada pelo governador da capitania, Duarte da Costa, para ajudar a conter
uma rebelião indígena. Foram até Igaraçu, que sofria um cerco contra
aproximadamente 8 mil indígenas. Defendendo a localidade existiam apenas uns
120 portugueses. O reforço de cerca de 40 homens da tripulação ajudou, pois
após uma luta ferrenha, conseguiram derrotar os nativos, e os
navios carregados de pau-brasil retornaram a Portugal em dezembro de 1548.
Na segunda viagem em 1550, Hans Staden
juntou-se aos comandados do espanhol Diogo de Sanábria, que partiu de Castela
para o “Novo Mundo”. A armada de Sanábria tinha ordens para fundar um povoado
na costa de Santa Catarina e outro na foz do Rio da Prata. Só que a embarcação
onde Hans estava naufragou no litoral de São Paulo, próximo de Itanhaém, e os
sobreviventes conseguiram chegar a São Vicente e juntaram-se aos portugueses.
Em 1553, Tomé de Sousa
nomeou Hans Staden comandante – também chamado na época decondestável –
do forte de Bertioga. No ano seguinte, Hans caçava sozinho quando
foi encontrado e capturado por integrantes de uma tribo Tupinambá.
Hans foi levado cativo à
região de Ubatuba, onde permaneceu preso na tribo do chefe Cunhambebe.
Desde o início ele tinha percebido que a intenção dos tupinambás era de
devorá-lo e, segundo ele conta no livro, era ameaçado constantemente de morte.
O que o salvou foi justamente sua tentativa de convencer os tubinambás de que
ele não era português, e sim francês, portanto, aliado dos tupinambás.
Segundo afirmam alguns antropólogos, Hans não foi devorado pois
aos olhos dos tupinambás ele pareceu um covarde, e não um bravo guerreiro, por
isso sua carne era indigna de ser consumida por um valente guerreiro tupinambá.
Um tempo depois, uma tribo tupiniquim que era aliada dos
portugueses atacou a aldeia onde Hans estava cativo. Mesmo prisioneiro, Hans
teve que lutar ao lado dos tupinambás. Sua vontade era que os tupiniquins
vencessem a luta, libertando-o, mas os tupiniquins perceberam que não tinham
chance de vitória e se retiraram do combate.
Hans Stadem ainda tentou, sem sucesso, ser resgatado por dois
navios, um português e outro francês, mas o resgate não aconteceu pois os
comandantes destas embarcações não queriam entrar em atrito com os tupinambás.
Mas nove meses após ser aprisionado, Hans conseguiu ser resgatado pelo corsário
francês Guillaume Moner, que o levou de volta para a Europa.
De volta à sua terra
natal, em 1555, Hans escreveu o Warhaftige
Historia, onde contava com detalhes seus dias no “Novo Mundo”. O livro,
publicado em 1557, acabou se tornando um importante
documento sociológico, cultural e antropológico de parte da cultura nativa do
Brasil em meados do século XVI.
Mas
o que mais chama atenção nos escritos de Hans Staden é a sua tentativa de transmitir um relato o mais
próximo possível da realidade. Na época, a Europa estava tomada
de relatos fantásticos das terras do Novo Mundo, com descrições de seres
humanos que tinham mãos no lugar dos pés, sereias, peixes com cabeça de homens
e homens com cabeças de feras, entre outras aberrações, o que fez, na
época, o escritor François Rabelais dedicar dois capítulos de seu livro
“Gargantua e Pantagruel” a satirizar essa visão fantástica dos exploradores.
Staden apenas relatou o que viu e, lógico, não inventou seres mitológicos.
No Brasil, só em 1925 que a obra de Hans Staden mereceu uma
melhor atenção, já que a única tradução para o português datava de 1892 e era
falha, pois tinha sido traduzida de uma versão francesa que já não era muito
exata em sua tradução. O escritor Monteiro Lobato traduziu a primeira parte do
livro, adaptando-o para os jovens. Já em 1930, o texto foi traduzido do original
por Alberto Lofgren, e batizada, enfim, de “Viagem ao Brasil”.
E em 1999 as histórias de Hans Staden viraram filme, em uma
produção conjunta de brasileiros e portugueses, dirigido pelo brasileiro Luis
Alberto Pereira.
Hans Staden faleceu na cidade alemã de Wolfhagen, em 1579.
http://www.historiazine.com/2010/06/as-aventuras-de-hans-staden.html