Guarani
Enrico
V. Demarchi n°8
Prof:
Paulo
Serie:
7° ano A
GUARANI
O povo Guarani foi um dos primeiros a serem
contatados após a chegada dos europeus na América do Sul, cerca de 500 anos
atrás.
No Brasil, vivem atualmente cerca de 51.000
índios Guarani, em sete estados diferentes, tornando-os a etnia mais numerosa
do país. Muitos outros índios Guarani vivem no Paraguai, Bolívia e Argentina.
O povo Guarani no Brasil está dividido em
três grupos: Kaiowá, Ñandeva e M’byá, dos quais o maior é o Kaiowá, que
significa ‘povo da floresta’.
O guarani é sua língua oficial, falada por
muito mais gente do que o Espanhol, principalmente entre os camponeses do país.
O povo Guarani é profundamente espiritual. A
maioria das comunidades possui um espaço para oração, e um líder religioso,
denominado de pajé.
Hoje em dia, os índios vivem espremidos em
pequenos pedaços de terra cercados por fazendas de gado e vastos campos de soja
e cana-de-açúcar. Alguns não têm terra alguma, e vivem acampados na beira de
estradas.
Como se organizam os
Guarani
A forma tradicional de organização social
guarani se dá em famílias extensas. Até cem pessoas moravam numa mesma casa,
geralmente perto de um córrego ou rio, em uma região de floresta que oferecesse
boa terra para plantio, caça e pesca.
As famílias eram lideradas pelo casal mais
idoso, experiente e que demonstrasse boas habilidades xamanísticas - para curar
e manter a saúde das pessoas, além de boas lavouras e boa caça, todos sinais de
uma boa relação com os deuses.
Para os Guaranis não há classes sociais como
a do homem branco. Todos têm os mesmo direitos e recebem o mesmo tratamento. A
terra, por exemplo, pertence a todos e quando um índio caça, costuma dividir
com os habitantes de sua tribo. Apenas os instrumentos de trabalho (machado,
arcos, flechas, arpões) são de propriedade individual. O trabalho na tribo é
realizado por todos, porém possui uma divisão por sexo e idade. As mulheres são
responsáveis pela comida, crianças, colheita e plantio. Já os homens da tribo
ficam encarregados do trabalho mais pesado: caça, pesca, guerra e derrubada das
árvores.
São figuras importantes numa tribo o pajé e o cacique. O pajé é o
sacerdote da tribo, pois conhece todos os rituais e recebe as mensagens dos
deuses. Ele também é o curandeiro, pois conhece todos os chás e ervas para
curar doenças. Ele que faz o ritual da pajelança, onde evoca os deuses da
floresta e dos ancestrais para ajudar na cura. O cacique, também importante na
vida tribal, faz o papel de chefe, pois organiza e orienta os índios.
A educação indígena é bem
interessante. Os pequenos índios, conhecidos como curumins, aprender desde
pequenos e de forma prática. Costumam observar o que os adultos fazem e vão
treinando desde cedo. Quando o pai vai caçar, costuma levar o indiozinho junto
para que este aprender. Quando atinge os 13 os 14 anos, o jovem passa por um
teste e uma cerimônia para ingressar na vida adulta.
Religião
Indígena
Cultura Guarani
Cada nação indígena possuía crenças e rituais
religiosos diferenciados. Porém, todas as tribos acreditavam nas forças da
natureza e nos espíritos dos antepassados. Para estes deuses e espíritos,
faziam rituais, cerimônias e festas. O pajé era o responsável por transmitir estes
conhecimentos aos habitantes da tribo. Algumas tribos chegavam a enterrar o
corpo dos índios em grandes vasos de cerâmica, onde além do cadáver ficavam os
objetos pessoais. Isto mostra que estas tribos acreditavam numa vida após a
morte.
A
caça, chamada de captura de animais e a pesca são atividades cotidiana
dos Guaranis. Eles usam arapucas chamadas de mondeu, também usam armas tidas
como “brancas” feitas por eles mesmos...
Principais alimentos
consumidos pelos índios brasileiros:
-Frutas,verduras,legumes,raízes,carne
de animais caçados na floresta (capivara, porco-do-mato,macaco, etc), peixes, cereais
e castanhas.
Pratos típicos da
culinária indígena:
Tapioca (espécie de pão fino feito com fécula
de mandioca), pirão (caldo grosso feito de farinha de mandioca e caldo de
peixe), pipoca, beiju (espécie de bolo de formato enrolado feito com massa de
farinha de mandioca fina).
A situação de
desespero que vive o povo Guarani hoje
Nos últimos 500 anos praticamente todas as
terras dos Guarani no Mato Grosso do Sul foram tomadas deles.
Ondas de desmatamento converteram as terras
férteis dos Guarani em uma vasta rede de fazendas de gado e plantações de
cana-de-açúcar para o mercado de biocombustíveis do Brasil.
Os índios estão amontoados em pequenas
reservas, que estão superlotadas. Na reserva de Dourados, por exemplo, 12 mil
índios vivem em pouco mais de 3.000 hectares.
A destruição da floresta fez com que as
práticas da caça e a pesca sejam impossíveis, e não há mais terra suficiente
até mesmo para plantar. A desnutrição é um problema sério e, desde 2005, pelo
menos, 53 crianças Guarani morreram de fome.
Canaviais.
O Brasil tem uma das indústrias mais
desenvolvidas de biocombustíveis no mundo. Plantações de cana-de-açúcar foram
estabelecidas na década de 1980, e dependem fortemente do trabalho indígena.
Frequentemente, os trabalhadores trabalham por salários miseráveis em condições
terríveis. Em 2007, a polícia invadiu uma destilaria de álcool de
cana-de-açúcar e descobriu 800 índios trabalhando e vivendo em condições
subumanas.
Como muitos homens indígenas são forçados a
procurar trabalho nas plantações, eles ficam fora de suas comunidades por
longos períodos e isso tem um impacto importante na saúde e na sociedade
Guarani. As doenças sexualmente transmissíveis e alcoolismo chegaram à tribo
pelos trabalhadores que retornam e as brigas internas entre o próprio povo com
muita violência aumentaram.
Mais
de 80 novas plantações de cana-de-açúcar e usinas de álcool estão previstas
para o Mato Grosso do Sul, muitas das quais estão sendo construídas em terra
ancestral dos Guarani.
Os índios que estão
presos
Os Guarani no Mato Grosso do Sul sofrem com o
racismo e a discriminação, e altos níveis de assédio da polícia. Estima-se que
existem mais de 200 Guarani na cadeia com pouco ou nenhum acesso a
aconselhamento jurídico e intérpretes, preso em um sistema legal que eles não
entendem. Isso resultou em pessoas inocentes serem condenadas. Muitos estão
servindo penas desproporcionalmente duras por delitos menores.
A resposta deste povo profundamente
espiritual para a falta de terra tem sido uma epidemia de suicídio única na América
do Sul. Desde 1986 mais de 517 índios Guarani cometeram suicídio; o mais novo
tinha apenas nove anos de idade.
Lutando para
sobreviver
Lotados em reservas minúsculas, com terríveis
consequências sociais, muitas comunidades Guarani têm tentado recuperar
pequenas parcelas de suas terras ancestrais.
Estas ‘retomadas’ tem sido violentamente
resistidas pelos agricultores poderosos que hoje ocupam a região.
Os fazendeiros frequentemente empregam
pistoleiros para defender ‘suas’ propriedades, e inúmeros Guarani foram mortos
durante ou logo após as retomadas.
Como exemplo: a pequena comunidade de Ñanderu
Marangatu é típica. Apesar do fato de que a comunidade tem direito por lei a
viver dentro de uma reserva de 9.000 hectares, eles foram expulsos por pistoleiros
contratados por fazendeiros em 2005, mas conseguiram retomar suas terras.
Eles agora vivem em uma pequena fração do que
é legalmente deles, e a área circundante a sua comunidade é patrulhada
diariamente pelos pistoleiros do fazendeiro, que também estupraram duas
mulheres Guarani e atiraram contra a casa de um dos líderes da comunidade.
Curiosidades:
Curiosidade - Notícia
recente
17/04/14– Cerca de 50 índios guaranis ocuparam, por volta das 15h30 de
quarta-feira (16), o Pátio do Colégio, marco da fundação da cidade de São
Paulo, para reivindicar a demarcação de terras reconhecidas pela Fundação
Nacional do Índio (Funai) como tradicionalmente indígenas dentro do município.
Eles pretendem chamar a atenção da sociedade e pressionar o Ministério da
Justiça para assinatura de uma portaria que regulariza a posse da terra de
acordo com a área definida pela Funai.
Os guaranis da capital
paulista somam aproximadamente 2 mil pessoas. Participam da ocupação, índios
das terras indígenas Jaraguá, na zona oeste, e Tenondé Porã, no extremo sul da
cidade.
Desde que entraram no
local, os índios estão tocando e dançando músicas tradicionais da cultura
indígena.
Sem o término do processo
de demarcação, os índios ainda sofrem ameaças de despejo, além das dificuldades
para manter a tradição indígenas nas atuais áreas.
Conclusão
Conclui
que:
·
Atualmente
existem 51.000 guaranis 7 estados no Brasil.
·
Os
guaranis estão divididos em três grupos: Kaiowá, Ñandeva e M’bya.
·
Sua
língua oficial é guarani.
·
Se
organizam em famílias extensas, até cem pessoas na mesma casa que é liderada
pelos mais velhos (idosos) que tem boas relações com os deuses.
·
Os
guaranis não tem classes sociais, usam só seus instrumentos. As mulheres são
responsáveis pela comida e pelas crianças já os homens são responsáveis pela
caça.
·
Cada tribo possui rituais religiosos
diferentes, mas as tribos acreditavam na natureza e espíritos antepassados. E a
caça é chamada de captura de animais e a pesca é uma atividade deles.
·
Consumiam
frutas, legumes, verduras, raízes e animais que eram caçados por eles mesmos.
·
Nos
últimos 500 anos,todas suas terras foram tomadas deles. Os índios vivem em
pequenas reservas,superlotadas. E desde 2005, mais ou menos 53 crianças
morreram de fome;
·
Eles
sofrem racismo no Mato Grosso do Sul.
·
Reservas
retomadas,eram resistidas violentamente pelos fazendeiros... Os Ñanderu
Marangatu foram expulsos por pistoleiros,mas conseguiram retomar suas terras.
Bibliografia
http://www.folhapaulistana.com.br/2014/04/guaranis-ocupam-sitio-historico-em-sao-paulo-para-cobrar-demarcacao-de-terras/
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