quarta-feira, 23 de abril de 2014

Guarani

Guarani


 Enrico V. Demarchi n°8
Prof: Paulo
Serie: 7° ano A

                                                                   GUARANI

O povo Guarani foi um dos primeiros a serem contatados após a chegada dos europeus na América do Sul, cerca de 500 anos atrás.

No Brasil, vivem atualmente cerca de 51.000 índios Guarani, em sete estados diferentes, tornando-os a etnia mais numerosa do país. Muitos outros índios Guarani vivem no Paraguai, Bolívia e Argentina.

O povo Guarani no Brasil está dividido em três grupos: Kaiowá, Ñandeva e M’byá, dos quais o maior é o Kaiowá, que significa ‘povo da floresta’.

O guarani é sua língua oficial, falada por muito mais gente do que o Espanhol, principalmente entre os camponeses do país.

O povo Guarani é profundamente espiritual. A maioria das comunidades possui um espaço para oração, e um líder religioso, denominado de pajé.

Hoje em dia, os índios vivem espremidos em pequenos pedaços de terra cercados por fazendas de gado e vastos campos de soja e cana-de-açúcar. Alguns não têm terra alguma, e vivem acampados na beira de estradas.




Como se organizam os Guarani

A forma tradicional de organização social guarani se dá em famílias extensas. Até cem pessoas moravam numa mesma casa, geralmente perto de um córrego ou rio, em uma região de floresta que oferecesse boa terra para plantio, caça e pesca.

As famílias eram lideradas pelo casal mais idoso, experiente e que demonstrasse boas habilidades xamanísticas - para curar e manter a saúde das pessoas, além de boas lavouras e boa caça, todos sinais de uma boa relação com os deuses.

Para os Guaranis não há classes sociais como a do homem branco. Todos têm os mesmo direitos e recebem o mesmo tratamento. A terra, por exemplo, pertence a todos e quando um índio caça, costuma dividir com os habitantes de sua tribo. Apenas os instrumentos de trabalho (machado, arcos, flechas, arpões) são de propriedade individual. O trabalho na tribo é realizado por todos, porém possui uma divisão por sexo e idade. As mulheres são responsáveis pela comida, crianças, colheita e plantio. Já os homens da tribo ficam encarregados do trabalho mais pesado: caça, pesca, guerra e derrubada das árvores.

São figuras importantes numa tribo o pajé e o cacique. O pajé é o sacerdote da tribo, pois conhece todos os rituais e recebe as mensagens dos deuses. Ele também é o curandeiro, pois conhece todos os chás e ervas para curar doenças. Ele que faz o ritual da pajelança, onde evoca os deuses da floresta e dos ancestrais para ajudar na cura. O cacique, também importante na vida tribal, faz o papel de chefe, pois organiza e orienta os índios. 

Na educação:     

educação indígena é bem interessante. Os pequenos índios, conhecidos como curumins, aprender desde pequenos e de forma prática. Costumam observar o que os adultos fazem e vão treinando desde cedo. Quando o pai vai caçar, costuma levar o indiozinho junto para que este aprender. Quando atinge os 13 os 14 anos, o jovem passa por um teste e uma cerimônia para ingressar na vida adulta.
Religião Indígena


Cultura Guarani

Cada nação indígena possuía crenças e rituais religiosos diferenciados. Porém, todas as tribos acreditavam nas forças da natureza e nos espíritos dos antepassados. Para estes deuses e espíritos, faziam rituais, cerimônias e festas. O pajé era o responsável por transmitir estes conhecimentos aos habitantes da tribo. Algumas tribos chegavam a enterrar o corpo dos índios em grandes vasos de cerâmica, onde além do cadáver ficavam os objetos pessoais. Isto mostra que estas tribos acreditavam numa vida após a morte.

A  caça, chamada de captura de animais e a pesca são atividades cotidiana dos Guaranis. Eles usam arapucas chamadas de mondeu, também usam armas tidas como “brancas” feitas por eles mesmos...

Principais alimentos consumidos pelos índios brasileiros:

-Frutas,verduras,legumes,raízes,carne de animais caçados na floresta (capivara, porco-do-mato,macaco, etc), peixes, cereais e castanhas.

Pratos típicos da culinária indígena:
Tapioca (espécie de pão fino feito com fécula de mandioca), pirão (caldo grosso feito de farinha de mandioca e caldo de peixe), pipoca, beiju (espécie de bolo de formato enrolado feito com massa de farinha de mandioca fina).

A situação de desespero que vive o povo Guarani hoje

Nos últimos 500 anos praticamente todas as terras dos Guarani no Mato Grosso do Sul foram tomadas deles.

Ondas de desmatamento converteram as terras férteis dos Guarani em uma vasta rede de fazendas de gado e plantações de cana-de-açúcar para o mercado de biocombustíveis do Brasil.

Os índios estão amontoados em pequenas reservas, que estão superlotadas. Na reserva de Dourados, por exemplo, 12 mil índios vivem em pouco mais de 3.000 hectares.

A destruição da floresta fez com que as práticas da caça e a pesca sejam impossíveis, e não há mais terra suficiente até mesmo para plantar. A desnutrição é um problema sério e, desde 2005, pelo menos, 53 crianças Guarani morreram de fome.
Canaviais.

O Brasil tem uma das indústrias mais desenvolvidas de biocombustíveis no mundo. Plantações de cana-de-açúcar foram estabelecidas na década de 1980, e dependem fortemente do trabalho indígena. Frequentemente, os trabalhadores trabalham por salários miseráveis em condições terríveis. Em 2007, a polícia invadiu uma destilaria de álcool de cana-de-açúcar e descobriu 800 índios trabalhando e vivendo em condições subumanas.

Como muitos homens indígenas são forçados a procurar trabalho nas plantações, eles ficam fora de suas comunidades por longos períodos e isso tem um impacto importante na saúde e na sociedade Guarani. As doenças sexualmente transmissíveis e alcoolismo chegaram à tribo pelos trabalhadores que retornam e as brigas internas entre o próprio povo com muita violência aumentaram.

Mais de 80 novas plantações de cana-de-açúcar e usinas de álcool estão previstas para o Mato Grosso do Sul, muitas das quais estão sendo construídas em terra ancestral dos Guarani.

Os índios que estão presos

Os Guarani no Mato Grosso do Sul sofrem com o racismo e a discriminação, e altos níveis de assédio da polícia. Estima-se que existem mais de 200 Guarani na cadeia com pouco ou nenhum acesso a aconselhamento jurídico e intérpretes, preso em um sistema legal que eles não entendem. Isso resultou em pessoas inocentes serem condenadas. Muitos estão servindo penas desproporcionalmente duras por delitos menores.

A resposta deste povo profundamente espiritual para a falta de terra tem sido uma epidemia de suicídio única na América do Sul. Desde 1986 mais de 517 índios Guarani cometeram suicídio; o mais novo tinha apenas nove anos de idade.

Lutando para sobreviver

Lotados em reservas minúsculas, com terríveis consequências sociais, muitas comunidades Guarani têm tentado recuperar pequenas parcelas de suas terras ancestrais.

Estas ‘retomadas’ tem sido violentamente resistidas pelos agricultores poderosos que hoje ocupam a região.

Os fazendeiros frequentemente empregam pistoleiros para defender ‘suas’ propriedades, e inúmeros Guarani foram mortos durante ou logo após as retomadas.

Como exemplo: a pequena comunidade de Ñanderu Marangatu é típica. Apesar do fato de que a comunidade tem direito por lei a viver dentro de uma reserva de 9.000 hectares, eles foram expulsos por pistoleiros contratados por fazendeiros em 2005, mas conseguiram retomar suas terras.

Eles agora vivem em uma pequena fração do que é legalmente deles, e a área circundante a sua comunidade é patrulhada diariamente pelos pistoleiros do fazendeiro, que também estupraram duas mulheres Guarani e atiraram contra a casa de um dos líderes da comunidade.
Curiosidades:

Curiosidade - Notícia recente

17/04/14– Cerca de 50 índios guaranis ocuparam, por volta das 15h30 de quarta-feira (16), o Pátio do Colégio, marco da fundação da cidade de São Paulo, para reivindicar a demarcação de terras reconhecidas pela Fundação Nacional do Índio (Funai) como tradicionalmente indígenas dentro do município. Eles pretendem chamar a atenção da sociedade e pressionar o Ministério da Justiça para assinatura de uma portaria que regulariza a posse da terra de acordo com a área definida pela Funai.
Os guaranis da capital paulista somam aproximadamente 2 mil pessoas. Participam da ocupação, índios das terras indígenas Jaraguá, na zona oeste, e Tenondé Porã, no extremo sul da cidade.
Desde que entraram no local, os índios estão tocando e dançando músicas tradicionais da cultura indígena.
Sem o término do processo de demarcação, os índios ainda sofrem ameaças de despejo, além das dificuldades para manter a tradição indígenas nas atuais áreas.

Conclusão

Conclui que:

·         Atualmente existem 51.000 guaranis 7 estados no Brasil.
·         Os guaranis estão divididos em três grupos: Kaiowá, Ñandeva e M’bya.
·         Sua língua oficial é guarani.
·         Se organizam em famílias extensas, até cem pessoas na mesma casa que é liderada pelos mais velhos (idosos) que tem boas relações com os deuses.
·         Os guaranis não tem classes sociais, usam só seus instrumentos. As mulheres são responsáveis pela comida e pelas crianças já os homens são responsáveis pela caça.
·          Cada tribo possui rituais religiosos diferentes, mas as tribos acreditavam na natureza e espíritos antepassados. E a caça é chamada de captura de animais e a pesca é uma atividade deles.
·         Consumiam frutas, legumes, verduras, raízes e animais que eram caçados por eles mesmos.
·         Nos últimos 500 anos,todas suas terras foram tomadas deles. Os índios vivem em pequenas reservas,superlotadas. E desde 2005, mais ou menos 53 crianças morreram de fome;
·         Eles sofrem racismo no Mato Grosso do Sul.
·         Reservas retomadas,eram resistidas violentamente pelos fazendeiros... Os Ñanderu Marangatu foram expulsos por pistoleiros,mas conseguiram retomar suas terras.

Bibliografia

http://www.folhapaulistana.com.br/2014/04/guaranis-ocupam-sitio-historico-em-sao-paulo-para-cobrar-demarcacao-de-terras/


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