Karaja
Cultura
A cultura
material Karajá envolve técnicas de construção de casas, tecelagem de algodão,
adornos plumários, artefatos de palha, madeira, minerais, concha, cabaça,
córtex de árvores e cerâmica.
A pintura
corporal é bem significativa para o grupo. Os jovens de ambos os sexos
submetiam-se à aplicação do omarura, que são dois círculos tatuados nas faces ,
porém devido ao preconceito da população das cidades ribeirinhas, hoje desenham
os dois círculos apenas na época dos rituais. As mulheres, processa-se
diferentemente nos homens, de acordo com as categorias de idade, sendo
utilizado o sumo do jenipapo, a fuligem de carvão e o urucum. Alguns dos
padrões mais comuns são as listas e faixas pretas nas pernas e nos braços. A
cestaria, feita tanto pelos homens como pelas mulheres, apresenta motivos
trançados com o aspecto de gregas e inspirados na fauna, como partes do corpo
dos animais. (Taveira, 1982).
A arte cerâmica
é exclusiva das mulheres, apresentando os mais variados tipos e motivos, desde
utensílios domésticos, como potes e pratos, até bonecas com temas mitológicos,
rituais, da vida cotidiana e da fauna.
As bonecas
Karajá são mais um meio de subsistência do grupo e também possuem uma função
lúdica para as crianças, sendo um instrumento de socialização da menina. É
muito comum encontrar as bonecas Karajá em lojas de artesanato ou nos museus
das cidades.
A plumária é
muito elaborada, tendo uma relação direta com os rituais. Com a dificuldade de
captura de araras, ave de grande interesse para os Karajá, esta arte tem sido
reduzida na sua variedade.
Localização
Os Karajá têm o rio
Araguaia como um eixo de referência mitológica e social. O território do grupo
é definido por uma extensa faixa do vale do rio Araguaia, inclusive a maior
ilha fluvial do mundo, a do Bananal, que mede cerca de dois milhões de
hectares. Suas 29 aldeias estão preferencialmente próximas aos lagos e
afluentes do rio Araguaia e do rio Javaés, assim como no interior da ilha do
Bananal.
Possuem o costume de
acampar com suas famílias em busca de melhores pontos de pesca de peixes e de
tartarugas, nos lagos, nas praias e nos tributários do rio, onde, no passado,
faziam aldeias temporárias, inclusive com a realização de festas, na época da
estiagem do Araguaia. Com a chegada das chuvas, mudavam-se para as aldeias
construídas nos grandes barrancos, a salvo das subidas das águas, onde, em
alguns lugares, ainda hoje fazem suas roças familiares e coletivas, locais de moradia
e cemitérios.
Quanto à situação jurídica das terras do subgrupo Karajá, podemos relacionar:
Parque Indígena do Araguaia (ilha do Bananal) — área total de 1.358.499 hectares, demarcada, homologada e esperando registro (Funai, 1998).
Karajá de Aruanã — Área I (GO) com 11 hectares, Área II (MT) com 769 hectares e Área III (GO) com 586 hectares, em processo de demarcação (Funai, 1998).
São Domingos, com 5.705 hectares no município de Luciara, MT, homologada.
Maramanduba, com 26 hectares, no município de Santana do Araguaia, PA, em revisão
. TI Tapirapé/Karajá, MT, homologada.
Quanto à situação jurídica das terras do subgrupo Karajá, podemos relacionar:
Parque Indígena do Araguaia (ilha do Bananal) — área total de 1.358.499 hectares, demarcada, homologada e esperando registro (Funai, 1998).
Karajá de Aruanã — Área I (GO) com 11 hectares, Área II (MT) com 769 hectares e Área III (GO) com 586 hectares, em processo de demarcação (Funai, 1998).
São Domingos, com 5.705 hectares no município de Luciara, MT, homologada.
Maramanduba, com 26 hectares, no município de Santana do Araguaia, PA, em revisão
. TI Tapirapé/Karajá, MT, homologada.
De acordo com a FUNAI em 2010 a
população dos Karajás eram de 3198 e dos Karajás do Norte de 268.
Alimentação
A alimentação
da comunidade é habitualmente a ictiofauna do rio Araguaia e dos lagos.
Apreciam alguns mamíferos e demonstram especial predileção na captura de
araras, jaburus e colhereiros para enfeites plumários.
As roças são
feitas nas matas-galeria, com a prática da coivara. Os registros etnográficos e
históricos citam o cultivo do milho, da mandioca, da batata, da banana, da
melancia, do cará, do amendoim e do feijão. Eles aproveitam também os frutos do
cerrado, como o oiti e o pequi, e a coleta do mel silvestre.
Divisão do trabalho
Os Karajá
estabelecem uma grande divisão social entre os gêneros definindo socialmente os
papéis dos homens e mulheres, previstos nos mitos.
Aos homens
cabem a defesa do território, a abertura das roças, as pescarias familiares ou
coletivas, as construções das casas de moradia e as discussões políticas.
As mulheres são
responsáveis pela educação dos filhos até a idade da iniciação para os meninos
e de modo permanente para as meninas, pelos afazeres domésticos, como cozinhar,
colher produtos da roça, pelo cuidado com o casamento dos filhos, normalmente
gerenciado pelas avós, pela confecção das bonecas de cerâmica, que se tornaram
uma importante renda familiar fomentada pelo contato, além da pintura e
ornamentação das crianças, das moças e dos homens para os rituais do grupo.
Curiosidades
Os Karajá preferem a
monogamia e o divórcio é censurado pelo grupo. Se a infidelidade do homem
casado se torna pública, os parentes masculinos da mulher abandonada batem no
homem infrator perante toda a aldeia, resultando inclusive em queima da casa da
família do marido infrator.
Os Karajá possuem
íntima relação com o Rio Araguaia que é fonte de sua subsistência. Guardam
muitas tradições demonstradas em cantos e festas.
Uma de suas
características é a diferenciação entre a fala das mulheres e crianças e a dos
homens, feitas através de fonemas e expressões específicas.
Rituais: Os rituais praticados são demonstrados pelos cantos como a “Festa do Hetohoky, “Casa Grande” e também estão inseridos nas danças e lutas corporais “ijesu” onde principalmente os homens jovens usam a oportunidade para demonstrar força e coragem. Outra festa é a do “Aruanã” em homenagem ao peixe da região que eles crêem proteger a todos os Karajá.
Bibliografia
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