terça-feira, 22 de abril de 2014

Karajá

Karaja


Cultura

A cultura material Karajá envolve técnicas de construção de casas, tecelagem de algodão, adornos plumários, artefatos de palha, madeira, minerais, concha, cabaça, córtex de árvores e cerâmica.
A pintura corporal é bem significativa para o grupo. Os jovens de ambos os sexos submetiam-se à aplicação do omarura, que são dois círculos tatuados nas faces , porém devido ao preconceito da população das cidades ribeirinhas, hoje desenham os dois círculos apenas na época dos rituais. As mulheres, processa-se diferentemente nos homens, de acordo com as categorias de idade, sendo utilizado o sumo do jenipapo, a fuligem de carvão e o urucum. Alguns dos padrões mais comuns são as listas e faixas pretas nas pernas e nos braços. A cestaria, feita tanto pelos homens como pelas mulheres, apresenta motivos trançados com o aspecto de gregas e inspirados na fauna, como partes do corpo dos animais. (Taveira, 1982).
A arte cerâmica é exclusiva das mulheres, apresentando os mais variados tipos e motivos, desde utensílios domésticos, como potes e pratos, até bonecas com temas mitológicos, rituais, da vida cotidiana e da fauna.
As bonecas Karajá são mais um meio de subsistência do grupo e também possuem uma função lúdica para as crianças, sendo um instrumento de socialização da menina. É muito comum encontrar as bonecas Karajá em lojas de artesanato ou nos museus das cidades.
A plumária é muito elaborada, tendo uma relação direta com os rituais. Com a dificuldade de captura de araras, ave de grande interesse para os Karajá, esta arte tem sido reduzida na sua variedade.

Localização

Os Karajá têm o rio Araguaia como um eixo de referência mitológica e social. O território do grupo é definido por uma extensa faixa do vale do rio Araguaia, inclusive a maior ilha fluvial do mundo, a do Bananal, que mede cerca de dois milhões de hectares. Suas 29 aldeias estão preferencialmente próximas aos lagos e afluentes do rio Araguaia e do rio Javaés, assim como no interior da ilha do Bananal.
Possuem o costume de acampar com suas famílias em busca de melhores pontos de pesca de peixes e de tartarugas, nos lagos, nas praias e nos tributários do rio, onde, no passado, faziam aldeias temporárias, inclusive com a realização de festas, na época da estiagem do Araguaia. Com a chegada das chuvas, mudavam-se para as aldeias construídas nos grandes barrancos, a salvo das subidas das águas, onde, em alguns lugares, ainda hoje fazem suas roças familiares e coletivas, locais de moradia e cemitérios.
Quanto à situação jurídica das terras do subgrupo Karajá, podemos relacionar:
Parque Indígena do Araguaia (ilha do Bananal) — área total de 1.358.499 hectares, demarcada, homologada e esperando registro (Funai, 1998).
Karajá de Aruanã — Área I (GO) com 11 hectares, Área II (MT) com 769 hectares e Área III (GO) com 586 hectares, em processo de demarcação (Funai, 1998).
São Domingos, com 5.705 hectares no município de Luciara, MT, homologada.
Maramanduba, com 26 hectares, no município de Santana do Araguaia, PA, em revisão
. TI Tapirapé/Karajá, MT, homologada.
De acordo com a FUNAI em 2010 a população dos Karajás eram de 3198 e dos Karajás do Norte de 268.
 Alimentação
A alimentação da comunidade é habitualmente a ictiofauna do rio Araguaia e dos lagos. Apreciam alguns mamíferos e demonstram especial predileção na captura de araras, jaburus e colhereiros para enfeites plumários.
As roças são feitas nas matas-galeria, com a prática da coivara. Os registros etnográficos e históricos citam o cultivo do milho, da mandioca, da batata, da banana, da melancia, do cará, do amendoim e do feijão. Eles aproveitam também os frutos do cerrado, como o oiti e o pequi, e a coleta do mel silvestre.

Divisão do trabalho

Os Karajá estabelecem uma grande divisão social entre os gêneros definindo socialmente os papéis dos homens e mulheres, previstos nos mitos.
Aos homens cabem a defesa do território, a abertura das roças, as pescarias familiares ou coletivas, as construções das casas de moradia e as discussões políticas.
As mulheres são responsáveis pela educação dos filhos até a idade da iniciação para os meninos e de modo permanente para as meninas, pelos afazeres domésticos, como cozinhar, colher produtos da roça, pelo cuidado com o casamento dos filhos, normalmente gerenciado pelas avós, pela confecção das bonecas de cerâmica, que se tornaram uma importante renda familiar fomentada pelo contato, além da pintura e ornamentação das crianças, das moças e dos homens para os rituais do grupo.

Curiosidades

Os Karajá preferem a monogamia e o divórcio é censurado pelo grupo. Se a infidelidade do homem casado se torna pública, os parentes masculinos da mulher abandonada batem no homem infrator perante toda a aldeia, resultando inclusive em queima da casa da família do marido infrator.
Os Karajá possuem íntima relação com o Rio Araguaia que é fonte de sua subsistência. Guardam muitas tradições demonstradas em cantos e festas.
Uma de suas características é a diferenciação entre a fala das mulheres e crianças e a dos homens, feitas através de fonemas e expressões específicas.

Rituais: Os rituais praticados são demonstrados pelos cantos como a “Festa do Hetohoky, “Casa Grande” e também estão inseridos nas danças e lutas corporais “ijesu” onde principalmente os homens jovens usam a oportunidade para demonstrar força e coragem. Outra festa é a do “Aruanã” em homenagem ao peixe da região que eles crêem proteger a todos os Karajá.


Bibliografia



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