Os povos Ticuna
Os Ticuna configuram o mais numeroso povo indígena na Amazônia brasileira. Com uma história marcada pela entrada violenta de seringueiros, pescadores e madeireiros na região do rio Solimões, foi somente nos anos 1990 que os Ticuna firmaram o reconhecimento oficial da maioria de suas terras. Hoje enfrentaram o desafio de garantir sua sustentabilidade econômica e ambiental, bem como qualificar as relações com a sociedade envolvente mantendo viva sua riquíssima cultura. Não por acaso, os máscaras, desenhos e pinturas desse povo ganharam repercussão internacional.
ARTES
A variedade e riqueza da produção artística dos Ticuna expressam uma inegável capacidade de resistência e afirmação de sua identidade. São as máscaras cerimoniais, os bastões de dança esculpidos, a pintura em entre cascas de árvores, as estatuetas zoomorfas, a cestaria, a cerâmica, a tecelagem, os colares com pequenas figuras esculpidas em tucumã, além da música e das tantas histórias que compõem seu acervo literário.Um aspecto que merece atenção é o acervo de tintas e corantes. Cerca de quinze espécies de plantas tintórias são empregadas no tingimento de fios para tecer bolsas e redes ou pintar entre as cascas, esculturas cestos, paneiras, instrumentos musicais, remos, cuias, cocares e o próprio corpo. Há ainda origem mineral, que servem para decorar a cerâmica e a "cabeça" de determinadas máscaras cerimoniais.
A aptidão e a sensibilidade Ticuna para a arte revelam-se agora em novos materiais e formas de expressão plástica e estética, como as pinturas em papel produzidas por um grupo de artistas que formam hoje o grupo Etuena. Segundo a mitologia Ticuna "Etuena é a pintora dos peixes. Ela sentava beira do rio esperando a piracema passar. Ela então pegava cada peixe e pintava, dando uma cor que ficava para sempre". Esse grupo nasceu no contexto dos cursos de formação ministrados pela Organização Geral dos Professores Ticunas Bilígues (OGPTB), em que a arte teve espaço privilegiado no programa curricular.
LÍNGUA
A língua Ticuna é amplamente falada em uma área extensa por numerosos falantes cujas comunidades se distribuem por três países: Brasil, Peru e Colômbia.
Nas aldeias que se encontram do lado brasileiro, o uso intensivo da língua Ticuna não chega a ser ameaçado pela proximidade de idades de cidades ou mesmo pela convivência com falantes de outras línguas do interior da própria área Ticuna: nas aldeias, esses outros falantes são minoritários e acabam por se submeter à realidade Ticuna, razão pela qual, talvez, não representem uma ameaça do ponto de vista linguístico.
Em cidades de municípios do estado do Amazonas nos quais são encontradas aldeias Ticuna, escuta-se a língua Ticuna sempre que seus falantes, transitando por essas cidades, se dirigem a outros Ticuna igualmente em trânsito ou ai fixados.Com relação ao uso da língua pelos filhos daqueles que, falantes de Ticuna, se fixaram em cidades, é possível observar que esse uso tem entre suas variavéis mais fortes.
LOCALIZAÇÃO
Esse povo vivia no alto dos igarapés afluentes da margem esquerda do rio Solimões, no trecho em que este entra em terras brasileiras até o rio Iça/Putumayo. Houve um intenso processo de deslocamento em direção ao Solimões.
No início mantiveram sua tradicional distribuição espacial em malocas clânicas e, na década de 1970, havia mais de cem aldeias. Hoje essa distribuição das aldeias Ticuna se modificou.
No alto Solimões, contudo, os Ticuna são encontrados em todos os seis municípios da ragião, a saber: Tabatinga, Benjamim Constant, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Iça e Tocantins. Sua população está distribuída em mais de 20 terras indígenas.
EDUCAÇÃO
A (OGPTB), criada em dezembro de 1986 é constituída juridicamente em 1994, atua numa extensa área.
Sua importância está relacionada ao desenvolvimento de projetos e programas de educação bilíngue (Português e Ticuna), com destaque para a titulação de professores no nível médio e a oferta de cursos de especialização em educação indígena.
Outro aspecto importante foi a substituição gradativa dos docentes não-índios por professores Ticuna, os quais assumiram todas as classes 1.a até a 4.a séries.
A partir de 2002, as iniciativas da OGPTB começaram a ter participação dos demais grupos étnicos do alto Solimões, principalmente pela inserção dos professores cocama.
Para os Ticuna, assim como para outras etnias, há uma expressiva demanda pelo ensino superior.
ORGANIZAÇÃO SOCIAL
A sociedade Ticuna esta dividida em metades exogâmicas não-nominadas, cada qual composta por clãs.
O conjunto de clãs identificadas por nomes de aves forma uma metade, enquanto as demais identificadas por nomes de plantas.
A condição de membro de um clã confere a um indivíduo uma posição social.
AUTODENOMINAÇÃO
Segundo os registros da tradição oral, foi yo'i (um dos principais heróis culturais) que pescou os primeiros Ticuna das águas vermelhas do igarapé.7
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