segunda-feira, 21 de abril de 2014

Tribo Sate-Mawé

Bruna Menegaldo Russi
Prof:º: Paulo 7ºano-A

Nomes:
São chamados regionalmente "Mawés''. Ao longo de sua história, já receberam vários nomes:  Mavoz, Malrié, Mangnés, Mangnês, Jaquezes, Magnazes, Mahués, Magnés, Mauris, Mawés, Maragná, Mahué, Magneses, Orapium.
Língua:
A língua Sateré-Mawé integra o tronco lingüístico Tupi. ela difere do Guarani-Tupinambá.  O vocabulário mawé contém elementos completamente .OS homens  são bilíngües, falando o Sateré-Mawé e o português e as mulheres só fala a língua Sateré-Mawé.


Vocabulário
Maués
Português
Boró
Rekáa
U-amdén
Marrêt
Miú
Iámani
Curó
Burú
Curim
Uát
Aát
Icáp
Icang
Roni-há
Uaco
Uaco sesé
Bom dia
Boa tarde
Boa noite
Cachaça
Comida
Chuva
Brigar
Grande
Pequeno
Sol
Lua
Gordo
Magro
Homem
Bom
Bom demais
               
                       


Território:
 Eles localizam-no na margem esquerda do Tapajós, numa região de floresta densa e pedregosa, "lá onde as pedras falam".Os Sateré-Mawé tiveram seu primeiro contato com os brancos na época de atuação da Companhia de Jesus, quando os jesuítas fundaram a Missão de Tupinambaranas, em 1669A partir do contato com os brancos, e mesmo antes disso, devido às guerras com os Munduruku e Parintintim, o território ancestral dos Sateré-Mawé foi sensivelmente reduzido. Em 1978, quando iniciado o processo de demarcação do território, as aldeias, sítios, roças, cemitérios, territórios de caça, pesca, coleta e perambulação situavam-se entre e ao redor dos rio Marau, Miriti, Urupadi, Manjuru e Andirá. Os Sateré-Mawé consideravam essa extensão de terra como sendo sua, apesar de saberem que ela representava apenas uma pequena parcela do que já havia sido seu território tradicional. Até o começo do século XX escolhiam lugares preferencialmente nas regiões centrais da mata, próximas às nascentes dos rio, para implantarem suas aldeias e sítios. Nessas regiões, a caça é abundante; encontram-se em profusão os filhos de guaraná (como chamam, em português, as mudas nativas da Paullinia Sorbilis); existe grande quantidade de palmeiras como o açaí, tucumã, pupunha e bacaba, que sazonalmente comparecem na dieta alimentar; os rios são igarapés estreitos, com corredeiras e água bem fria. Esse é o ecossistema por excelência dos Sateré-Mawé e podemos observar, ainda hoje, que as aldeias que guardam formas de vida tradicionais "como no tempo dos velhos" (plano espacial, arquitetura, roças, rituais etc.) situam-se nessas regiões.


Divisão de trabalho:
a colheita dos cachos, a descasca do guaraná cru, a lavagem do guaraná, a torrefação, a descasca do guaraná torrado e a pilação, são tarefas quase que exclusivamente masculinas, cobrindo a faixa etária dos meninos aos adultos. A participação do sexo feminino ocorre apenas quando se descasca o guaraná cru e o guaraná torrado, que são consideradas atividades bem simples.Só é permitida a participação das meninas nas atividades acima
antes da primeira menstruação, porque depois do primeiro resguardo as meninas ganham o estatuto social de mulheres, transformando-se em esposas e mães em potencial.
As três atividades finais do fábrico são as que exigem maior depuramento, uma vez que incidem decisivamente na qualidade do produto final - o pão de guaraná. É por este motivo que a modelagem dos pães, sua lavagem e defumação são entregues exclusivamente nas mãos de pessoas adultas ou velhas.
A lavagem dos pães de guaraná se distingue radicalmente das outras atividades do fábrico porque é o único momento onde as mulheres, literalmente, põem a mão na massa. A sociedade sateré-mawé prescreve que somente as mulheres adultas (mães) e velhas (avós) recebem das mãos dos padeiros, após breve descanso nos talos de bananeira, os pães de guaraná ainda frescos, moles e de cor castanha, para serem demorada e caprichosamente lavados.

Rituais:
Dentre os rituais indígenas, o que mais se destaca é o ritual da Tucandeira na tribo sateré-mawé. Este evento é realizado como forma de iniciação masculina.
Para provar sua força, coragem e resistência à dor, deve se deixar ferrar no mínimo 20 vezes, colocando as mãos dentro da luva da tucandeira.
Os meninos levantam cedo para terem seus braços pintados com o preto do jenipapo feito por suas mães; em seguida, com um dente de paca, elas começam a riscar a pele dos meninos até sangrar.
A luva é feita de palha pelos padrinhos, que são os tios maternos.
pela manhã, são colocadas em uma bacia com tintura de folha de cajueiro, que tem efeito anestesiante, e meio adormecidas, as tucandeiras são postas na luva, com a cabeça para fora e o ferrão para dentro, na parte interna do saaripé.
Não há um período certo para a realização do ritual: é organizado conforme a vontade de quem deseja ser iniciado.
O evento envolve cantos e danças onde as mulheres, sobretudo as solteiras, que buscam maridos fortes e corajosos, podem entrar na fila da dança junto com outros homens.

Lendas
Origem da Noite
Lenda da Aliança entre os Maués
A criação do Mundo
Lenda do Timbó.
Lenda da Primeira Água
Lenda da Mandioca
Lenda da Mucura e do Acurau.
Origem dos Bichos.
Lenda do Guaraná

Lenda da Noite

Depois de criado o mundo não havia noite para o índio Maué dormir.
Uánham, sabendo que a Surucucu era Dona da Noite resolveu ir buscá-la. Levou consigo um arco e flechas para com eles comprar a noite. Porém, a Sucururu recusou, pois não possuía mãos.
Uánham voltou com uma liga para as pernas. Surucucu mandou-lhe amarrá-la no seu rabo, porque não podia levantar-se e, mais uma vez não lhe entregou a noite.  Uánham voltou com venenos. Surucucu, então necessitava de venenos, arrumou a primeira noite numa cesta e entregou-a a Uánham. Assim que saiu da casa da Surucucu, os seus companheiros correram ao seu encontro ansiosos pelo resultado do negócio. Uánham fora recomendado pela Surucucu que só abrisse a cesta em casa. No entanto, os seus companheiros tanto insistiram para ele abrir a cesta, que acabaram por conseguir.
Saiu a primeira noite. Os companheiros de Uánham, com medo, começaram a gritar e fugiram às cegas. Uánham gritava: "Tragam a Lua, pois havia ficado só na noite". Então, os parentes da Surucucu: jararaca, lacrau, centopéias, que já haviam dividido o veneno entre si e todas as outras cobras, foram experimentá-lo em Uánham, exceto a Cutimbóia, pois sendo muito brava não ganhou veneno, para que não mordesse todos os Maués. Uánham morreu com a picada da jararaca, mas depois ressuscitou quando um amigo (com quem tinha um acordo) banhou o seu cadáver com folhas mágicas. Levou mais veneno para Surucucu, em troca da Grande Noite, porque a noite havia sido muito curta. Surucucu, para formar a grande noite, misturou jenipapo com todas as imundícies que encontrou. E é por isso que, à noite, esta tribo sente tantas dores no corpo e ficam com a boca amarga e mal cheirosa.

Lenda da Mandioca 


 Mani era uma linda indiazinha, neta de um grande "tuxuana". Desde que nasceu andava e falava. De repente morreu sem ficar doente e sem sofrer. A indiazinha foi enterrada dentro da própria oca onde sempre morou e como era tradição do seu povo. Todos os dias os índios da aldeia iam visitá-la e choravam sobre a sua sepultura, até que nela apareceu uma planta desconhecida Então os índios resolveram cavar para ver que planta era aquela, tiraram-na da terra e ao examinar a sua raiz viram que era castanha, por fora, e branca por dentro. Após cozinharem e provarem a raiz entenderam que se tratava de um presente do Deus Tupã. A raiz de Mani veio para saciar a fome da tribo. Os índios deram o nome à raiz de Mani e como nasceu dentro de uma oca ficou Manioca. Atualmente, conhecemos por mandioca. 

Curiosidades:

Cuidados de uma índia grávida

Dieta: peixes pequenos, aves e tubérculos como a mandioca, o cará, e a batata - doce.
Certas carnes de animais são proibidas de serem ingeridas por acreditarem serem portadoras de espíritos.
Comer milho também é proibido na gravidez, a criança nascerá com tosse. A carne de jabuti impedirá a criança de crescer. A carne de macaco é proibida porque a criança poderá ter a voz irritante do macaco.
A carne dos pés de de porco faz com que a criança nasça em posição difícil para o parto. Carne de veado faz a mãe ficar louca.
A carne de tatu após o parto provoca tumores.

Se o pai matar uma onça na hora do parto a criança nascerá com a cara chata, se matar um tucano terá um nariz grande, se matar uma preguiça , a criança será preguiçosa,etc.
Não deve amarrar nada porque senão a criança ficará amarrada na hora de nascer e a prejudica na hora do parto.


Estações do Ano
As estações do ano são determinadas pelas enchentes e vazantes do rio Araguaia, são cinco estações durante o ano e são divididas em: 1ª - Bebo bedeu rare: Início do inverno ou início da enchente, que vai mais ou menos de outubro a novembro. 2ª - Beóra bedeu rare: Inverno ou enchente”, que vai de dezembro a abril; o rio sobe até as copas das árvores. 3ª - Behetxi é um pequeno tempo, muito conhecido, que marca o fim das enchentes e o início da vazante. É a estiagem começando, tempo sem chuva. 4ª - Wyra tymara bedeu rare: Início do verão, entre maio e junho, vazante do rio e início das praias. Nesta época as borboletas amarelas se ajuntam e saem em revoadas e algumas começam a atravessar o rio. 5ª - Wyra bedeu rare: Estiagem ou tempo sem chuva, verão de julho a setembro. As crianças atravessam o rio em canoas a procura dos ovos das gaivotas

Civilização:
Os Maués jamais se afeiçoaram aos portugueses.

Comandaram às suas mulheres que não aprendessem a língua lusa.
Tendo-se por principal prova dessa resistência (acomodação inteligente) o seguinte documento primário de fonte histórica, qual seja a Carta Instrutiva que aos Diretores das Capitanias do Pará e Rio Negro, datada de 03 de outubro de 1769, mandou o Governador Fernando da Costa de Ataíde Teive

Filhos do guaraná:
Inventores da cultura do Guaraná, os Sateré-Mawé transformaram a Paullinia Cupana, uma trepadeira silvestre da família das Sapindáceas, em arbusto cultivado, introduzindo seu plantio e beneficiamento. O guaraná é uma planta nativa da região das terras altas da bacia hidrográfica do rio Maués-Açu, que coincide precisamente com o território tradicional Sateré-Mawé.
Os Sateré-Mawé se vêem como inventores da cultura dessa planta, auto-imagem justificada no plano ideológico por meio do mito da origem, segundo o qual seriam os Filhos do Guaraná.
O guaraná é o produto por excelência da economia sateré-mawé, sendo, dos seus produtos comerciais, o que obtém maior preço no mercado. É possível ainda pensar que a vocação para o comércio demonstrada pelos Sateré-Mawé se explique pela importância do guaraná na sua organização social e econômica.
A primeira descrição do guaraná e sua importância para os Sateré-Mawé data de 1669, ano que coincide com o primeiro contato do grupo com os brancos. O padre João Felipe Betendorf descrevia, em 1669, que "tem os Andirazes em seus matos uma frutinha que chamam guaraná, a qual secam e depois pisam, fazendo dela umas bolas, que estimam como os brancos o seu ouro, e desfeitas com uma pedrinha, com que as vão roçando, e em uma cuia de água bebida, dá tão grandes forças, que indo os índios à caça, um dia até o outro não têm fome, além do que faz urinar, tira febres e dores de cabeça e cãibras".

Conclusão:
Conclui que a tribo Sateré-Mawé tem que ser muito valorizada pois são uns dos poucos que ainda valorizam a cultura preservando o meio ambiente e cumprindo o seus rituais. E que seu território esta sumindo então temos que preservar o pouco que nos resta.

Bibiografia:


xau bjao! ;)

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